Deformação Trabalhista

Deformação Trabalhista

Deformação Trabalhista

 

Poesia de Cordel

 

 

 

Andam dizendo por aí

Que fazem ouvidos moucos

Quem critica a reforma;

Que trabalho há pra poucos;

Que direito é regalia

E bandeira de loucos.

 

A reforma trabalhista

Causa um grande furor.

Há aqueles que são contra,

Há os que são a favor.

Dentre estes, quem não sabe

Nem que é trabalhador!

 

Quem defende a reforma

Acha vantagens em tudo:

Trabalhar por doze horas

Sem ter pausas, o sortudo,

Meia hora pr’almoçar.

Já aponta o sabe-tudo.

 

Vê, ainda, benefício:

Em vez de hora pro’almoço,

Pra sair cedo do serviço.

Trabalhador, no caroço,

Sem forças pra contestar,

Mói a carne e rala o osso!

 

Doze horas de trabalho.

Não precisa relaxar.

Nas trinta e seis faz um curso.

É dia pra estudar!

Dizem que é tempo livre

Pr’ainda mais labutar!

 

Acham que trabalhador

É máquina de trabalhar.

Trabalha sem sentir dor,

Não tem fome a saciar.

Que agradeça ter na vida

Um patrão pra empregar!

 

– No descanso, façam bicos

Para aumentar sua renda!

Grita, lá, empresário

– Que, de uma vez, se entenda:

Continua, eloquente:

– A reforma é uma prenda!

 

– Doze por trinta e seis,

Dizem, – fazem os enfermeiros

Que, também, assim o faça

Maquinistas e pedreiros,

Motoristas, aviadores,

Professores e mineiros.

 

Do trabalho intermitente,

O que falam os defensores?

Acham tudo muito bom.

Balcão de trabalhadores.

Todos, a disposição,

À mão dos empregadores!

 

Dizem não terem mexido

Na licença maternidade,

Mas é frágil a resposta

À real viabilidade,

Findo o prazo temporário,

Da curta “estabilidade”.

 

A não ser que no acordo

Haja cláusula prevendo,

O Seguro da gestante

Acabe acontecendo.

Mas se nada for escrito,

Não há direito valendo.

 

No trabalho intermitente,

Quem garante a licença

Para que a aquela mãe

Não viva como sentença

O tempo para o bebê

E para a convalescença.

 

Trabalhar mais cinco horas

Na jornada parcial

Sem haver qualquer acréscimo

No valor salarial?

Quem me aponta uma vantagem

Nessa reforma, afinal!

 

E mais postos de trabalho,

Como que garantirão?

Comprando trabalhador

Via terceirização,

Qu’oferta mão de obra

Com tão pouca proteção?

 

Para a aposentadoria,

O aumento da idade

É tremenda covardia:

Criarão inquidade

Empurrando o idoso

Para a competividade

 

Eles falam em liberdade

Para o mercado ampliar.

Pedem o nosso sacrifício

Para trabalho ofertar

E deixam o empresariado

Com sorriso a escancarar!

 

Nos acordos trabalhistas,

O patrão tem liberdade

Para redigir o contrato

Conforme a sua vontade.

Deixando o trabalhador

Sujeito à necessidade.

 

Nunca haverá igualdade

Nessa nova relação:

De um lado, um tem poder

Tem dinheiro, proteção;

Trabalhador, n’outro lado,

Sentindo ruir o chão.

 

A reforma trabalhista

Não é modernização,

Só garante, em seus artigos,

Os desejos do patrão

Estão dando é outro nome.

Pro retorno à escravidão!

Luzia M. Cardoso

 

https://evivendoquesevive.blogspot.com/2017/05/deformacao-trabalhista.html

O que você achou desse texto?

Clique nas estrelas para classificar

Media de classificações / 5. Quantidade de classificações:

Luzia

RJ e gosto de Manuel Bandeira.

Deixe um comentário

avatar
Fechar Menu
×
×

Carrinho

%d blogueiros gostam disto: